Ciclista humaitaense é destaque no G1

06/02/2011 21:04

O ciclista amazonense Valdeni Pinheiro Alves, 32 anos, completou oito meses pedalando pelo país nesta segunda-feira (17), quando cruzou pela cidade de Resende (RJ). Ele saiu de casa, em Humaitá (AM), em 17 de maio de 2010, já passou por 17 capitais e diz que percorreu 11,3 mil quilômetros no período. A próxima parada será no Santuário Nacional Nossa Senhora Aparecida, antes de chegar a São Paulo.

O objetivo da viagem é conhecer as capitais dos 26 estados do país e o Distrito Federal. Ele já tinha feito uma viagem semelhante em 2008, quando percorreu nove estados em cinco meses. “Quero ver se consigo entrar no livro dos recordes e fazer todos os estados em menos de um ano.”

Durante o atual percurso, Alves disse que saiu de Humaitá e seguiu para Porto Velho, depois pedalou para Rio Branco, voltando em seguida para Porto Velho, de onde saiu para Cuiabá, Goiânia, Palmas, Belém, São Luís, Teresina, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Vitória e Rio de Janeiro.

Mas foi em Porto Velho onde mais tempo ficou. “Meu dinheiro acabou e precisei arrumar algum trabalho para poder comer na viagem. Não gosto muito de ficar pedindo para os outros. Trabalhei na obra de uma barragem durante dois meses. Consegui juntar mais de R$ 2 mil e pedi demissão para seguir viagem. O dinheiro acabou em um mês.”

Foi também em Porto Velho que Alves passou pelo primeiro problema sério em sua trajetória. “Fui assaltado. Levaram meu capacete e meu caderno de atas, onde escrevia um diário de viagem e registrava todas as cidades por onde passava.” Alves disse que os problemas não pararam por aí. “Fui assaltado de novo, em São Luís. Passei um período da viagem sem capacete. Eu pedia para as pessoas me ajudarem a arrumar um capacete, mas tive de andar dez capitais sem essa segurança.”

O ciclista lembrou do amigo que fez durante a viagem, quando passou pela Praia de Copacabana. “Foi um vendedor ambulante que me deu um capacete novo. Ele se chama Ligeirinho. Sou muito agradecido a ele por esse capacete.”

Alves afirmou que o pneu da bicicleta furou 19 vezes durante os oito meses. “Muita gente acabou me ajudando, principalmente na manutenção da bicicleta. Nos postos de combustíveis é onde eu recebo mais ajuda, onde consigo um lugar para dormir e comer”.

Nesta segunda-feira, quando encontrou com a reportagem do G1, às 17h, Alves disse que ainda não tinha comido nada. No guidão, além das fotografias de pessoas queridas e dos adesivos de estabelecimentos comerciais que o apoiaram para a viagem, Alves carrega um reservatório de água, que usa constantemente para se manter hidratado, sem precisar parar a bicicleta. No bagageiro, apenas poucas peças de roupas e os cadernos de anotações.

Passado ruim

Alves chorou ao lembrar da mãe, Raimunda das Chagas Pinheiro, que, segundo ele, é sua maior incentivadora. “Não é um sonho meu andar pelo país de bicicleta. Eu vivia num mundo errado e fazia minha mãe sofrer muito. Hoje tenho uma vida correta, graças a Deus e a Virgem de Nazaré. Cometi vários delitos, fui preso várias vezes e hoje estou recuperado e quero dar uma vida melhor para minha mãe e dar mais alegrias para ela.”

Ainda com os olhos cheios de lágrimas, ele lembrou que a mãe vende salgados para sustentar a família. “Ajudei muito ela a educar meus outros dois irmãos. Espero voltar para dar um abraço nela em março. Eu falo para ela que vou desistir, principalmente depois que me roubaram, e ela diz para eu continuar.”

O ciclista amazonense tem como próximos destinos São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre. De lá, ele segue para o Nordeste.